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Reabilitação da Áreas Centrais: antagonismo e ambiguidades do programa paulistano Ação Centro

Este trabalho procura identificar os objetivos e estratégias do Programa de Reabilitação da Área Central da cidade de São Paulo, conhecido como Ação Centro, montado durante a gestão da Prefeita Marta Suplicy (2001-2004) no curso das negociações de um financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para tanto, analisamos: como se deu a articulação entre seus componentes e ações; diferentes entendimentos das recentes transformações espaciais, econômicas e sociais da área central; os modelos de intervenção e gestão urbana que foram adotados. Mediado por disputas entre distintos interesses, o processo de montagem do programa em estudo foi marcado pela tentativa de amarrar diferentes propostas para a reabilitação da área central, envolvendo estratégias e objetivos antagônicos. Adequando-se ao pensamento dominante da intervenção em áreas centrais, muitas das ações do programa pretendiam uma retomada econômica do centro, com valorização de imóveis e atração de novas empresas, novos usuários e moradores. Nada mais do que o aclamado planejamento estratégico de cidades, e seus métodos de gestão urbana empresarial, amplamente difundido – e imposto – por bancos multilaterais como o BID. A inserção, no escopo do financiamento, de propostas com objetivos contrários (e nem tão alinhados ao pensamento dominante, procurando minimizar os efeitos de expulsão das camadas de baixa renda da área), dotou os discursos produzidos no âmbito do programa de um caráter ambíguo.

Autoria: DANIELA MOTISUKE
Publicado no site em 25-06-2009


 
   
Moradia é central