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Conflitos em torno do direito à moradia na região central de São Paulo

Por mais de três séculos após sua fundação em 1554, a cidade de São Paulo correspondeu ao território situado entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, na chamada colina histórica da cidade. A partir de meados do século XIX, com o aumento do papel estratégico da cidade e da importância das conexões com o Porto de Santos e com o vasto interior paulista, São Paulo passou por um gigantesco crescimento em área e população. A região que por séculos abrigou o conjunto da cidade foi assumindo cada vez mais a identidade de centro histórico.

Com o crescimento, a região central apresentou funções específicas no contexto da cidade: acolheu o glamour dos cafés, teatros e cinemas; os bairros nobres das elites em Campos Elísios e Higienópolis, inaugurando o crescimento da parte rica da cidade no cone sudoeste; os equipamentos terciários como as sedes de bancos, a Bolsa de Valores, as funções governamentais da cidade e do estado, e também, em algumas partes, as faces – por vezes explícitas, outras invisíveis – da pobreza e da moradia superdensa do operariado nas vilas e nos cortiços. Foi também na área central que se instalou grande parte da população de rua da cidade.

O Centro da cidade não se constituiu como território homogêneo e foi historicamente dividido em sub-regiões. A partir da década de 1940, o chamado “triângulo histórico” da cidade, região circunscrita pelas ruas Direita, XV de Novembro e São Bento, perdia as funções residenciais e assumia cada vez mais as funções terciárias, sediando os setores financeiro e administrativo da cidade. Parte do comércio elegante, assim como a ocupação vertical da elite e da classe média, se redirecionou para a região do outro lado do Vale do Anhangabaú, constituindo o chamado “Centro Novo”, na região da Praça Ramos de Azevedo, Praça da República, Rua Barão de Itapetininga e Avenida São Luiz.

Publicado no site em 25-06-2009


 
   
Moradia é central